Olá =D

Este blog é uma obra literária livre, por enquanto. É um conjunto de contos e crônicas que englobam vários personagens e situações.
Literalmente é numa linguagem até que bem poética (alguns dos textos) outros de reflexão, mas a maioria é de pura e dura ação.

Essa obra foi inspirada nos velhos clássicos do cinema: The Godfather, Scarface e outras influências fora do gênero de crime organizado. Até porque, eu querendo ou não, sempre acabo por escrever coisas como praticamente roteiros mesmo.

Espero que a leitura seja agradável e desculpem pelos erros de gramática. Ainda estou tentando corrigir todos. Mas alguns são figuras de linguagem. 

LEIAM  os POSTS DE BAIXO PARA CIMA para seguir a linha de fatos e assim compreender o enredo. Mas se preferirem fazer uma rápida leitura solo. Fiquem à vontade.
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sábado, 16 de maio de 2009

Na Catedral

Um dia qualquer, de um eterno inverno

"Eu sou Vredeniko Bazinovoloska, o pai e avô daqueles que você assasssinou dias atrás. Sou o último da maldita família que vocês decidiram aniquilar, e quero me reunir com vocês na velha Catedral de São Basil aqui em Moscou, nada de emboscadas, quero apenas lhe contar a verdade"

Ali está Tolsink junto de Dimitri e Klaus, com as armas empunhadas caminhando decididamente pela congelante praça e rumo ao local marcado. A Catedral de São Basil, que havia sido lacrada pelo regime comunista. Que proibia qualquer tipo de religião. A religião deles passou a ser a dos homens, a religião do poder, a religião da carne. E por esta mesma religião muitos caíram e todos caírão.

Eles se prostam ante a grande porta do lugar, um chute para desemperrar e já estão os três lá dentro. Todos fortemente armados, com rifles de assalto, e Tolinsk como era de se esperar, levando consigo a arma símbolo de sua campanha de sangue, a Thompsom de seu pai. E caminham com cautela, quase desabando ao olhar para o alto e deslumbrante teto do templo. Dimitri virando os olhos com o interior do prédio e Klaus virando a cabeça procurando qualquer coisa que se mexa além dos pombos e morcegos dali.

De uma vez vários homens se levantam de suas tocaias e abrem fogo contra estavam escondidos nos inúmeros bancos de madeira maçiça do lugar. Estes sujeitos eram no total de uns sete e estavam descendo bala. Dimitri se joga para se proteger entre os bancos, Klaus se vira, acerta um, gira metralhando outro e toma uma rajada de balas no peito. Ele tomba e se arrasta para se proteger enquanto ufava e tossia sobre a cobertura de fogo de seu colega. E Tolinsk, bem, ele sumiu assim que os tais homens surgiram.

Os estranhos, japoneses, empunhando suas escopetas e metralhadoras avançam sobre os dois guardas atirando. Klaus, caído e baleado, chama a atenção de Dimitri, que está ali do lado, agachado sob fogo cruzado. Klaus fala algo para Dimitri, e ele ouviu mesmo pelos estrondos dos tiros que ecoam e ricocheteiam pelo gigantesco salão da catedral. Ele nunca esqueceu o que Klaus disse com lágrimas nos olhos e sangue escorrendo pela boca, prestes à se encontrar com seu fim no vale da morte: "Saia deste mundo... meu amigo". Isso que ele disse antes de tomar um estouro de escopeta.

Dimitri então se levanta dali, abre fogo nas costas miúdas do japonês, que geme a cada bala que destroi sua coluna lançando estilhaços de sua carne pelo ar. Dimitri se vira para o outro japa logo ali. O japa dispara com a espoceta mas nada acerta Dimitri, era muito longe. Então o rapaz se agacha sobre o banco, apoiando o rifle sobre o mesmo. E em seguida a AK em sua mão vomita a destruição e o caos em forma de chumbo, que viaja mais rápido do que os olhos podem ver, mas o que resta desta destruição e ódio. Os olhos sim, podem ver. O que resta de seus amigos destroçados pelas impiedosas armas do homem. Sim, o homem pode ver.

E Dimitri corre como nunca tinha corrido na vida, corre para fora, corre para a luz da saída. Corre para o frescor da primavera russa que iria de chegar em pouco tempo. Corre, simplesmente arranca de suas pernas toda a energia que elas podem oferecer. E ele corre, mas o passado dele não vai permitir isso, a máfia não vai deixá-lo sair dali, não vivo pelo menos. Quando o rapaz chega no portal coberto de madeira da igreja e salta para fora, um japonês ergue uma colt 1911 e dispara de dentro da catedral. Dimitri cai na neve, como um pobre coelho, quando é pego pelo seu caçador.

O japonês e seus dois colegas gargalham alto. Quando o que porta a 9 milímetros sente algo gelado tocando sua bochecha, ele se vira e é um cintilante cano de kalashinikov. Ele olha a kalash, a kalash olha para ele, rola um incrível momento onde o coitado do japonês chamou por sua mãe antes de Tolinsk sair do escuro e dar um berro apertando o gatilho:

"MORRAA SEU DESGRAÇADO FILHO DE UMA VADIA!!"

E Tolinsk descarrega no crânio do cara, destruindo instântaneamente tudo, mas ele não percebeu isso, ele já virava a arma e numa rajada só acertou a cabeça do outro e as costas do terceiro japonês. O terceiro que ainda estava vivo, Tolinsk fez questão de trocar o pente, enfiar o cano do ânus do cara, e dar dois tiros que reviraram os olhos do coitado que logo depois para de xingar e suspira.

Tolinsk suspira depois de sua crize de ódio. Ao lado dele está uma espécie de ícone ou mozaico, ele não parou para ver a beleza de pedras encrustadas que havia ao lado dele na parede. Ele apenas respirou fundo jorrando vapor pela boca à cada vez que fazia isto.

Aparece um senhor idoso ao lado dele, caminhando tímido e insole. Tolinsk olha, e de impulso dá uma rajada nas pernas do cara. Que apenas cai para trás ensaguentado, nem geme de dor. Então Tolinsk diz:

"Quem é você velho?"

"Eu Vredeniko, o último Bazinovoloska"

"A é? Então aproveita que você está aí e me diz a 'verdade' que você queria me dizer!"

O velho tosse e diz:

"É tudo coisa dos japas..."

"O que?"

"Sim, foi tudo coisa da Yakuza...
No início, um franco atirador matou o homem de confiança de seu pai...
Ele não era da KGB, ele era um mercenário contratado pelo japoneses, sob nosso conhecimento, para sabotar os negócios de vocês"

....

O velho continua:

"Mais tarde, os Slovodan e os Karlpeyja formaram um complô para destruí-los, mas isto era caso isolado. Os chefes de suas famílias não estavam à par da interferência estrangeira, eles apenas queriam limpar vocês dali, por que sua família estava literalmente acabando com o mercado local de narcóticos e armas..."

"Mas por que a Yakuza queria tanto nos destruir? E por que você e sua família permitiram uma desgraça desta?"

"Os japoneses já sabiam das ligações de vocês, e temiam perder seus negócios na América do Norte, pois já sabiam que vocês estavam com as chaves das línhas férreas na mão...
...Os Bazinos não fizeram nada, acharam melhor apenas tentar apaziguar ou intimidar as ações inerentes de vocês"

Tolinsk agarra o velho pela gola e diz:

"Afinal! Quem foi o culpado pela morte de meu pai?!!"

O velho tosse de novo e diz:

"Foi você... o seus atentados fizeram os Karlpeyja e os Slovodan que restavam comprar toda a polícia, por medo de vocês os matarem, e isso que fizeram depois que seu pai faleceu."

"Não!"

"E foi também sua culpa a morte de seus irmãos..."

"O que?"
Tolinsk congela definitivamente.

"... Seus irmãos estão mortos neste momento meu caro... um deles, o do meio, estava vindo de carro para cá, os japoneses iriam esperar ele na ponte... não sei se usariam minas ou um lança foguetes, mas de fato ele está morto... a sim, o mais velho, estava no escritório secreto dele, não mais está lá, eu te garanto... os japoneses não perdoam, isso eu te garanto."

Tolinsk está em choque profundo, ele apenas olha para algo além do que pdoe ser visto, sua pele, mais pálida do que já é, se estria de uma vez enquanto parece formar uma lágrima em seus olhos, e ela sofre tanto para se formar que parece ser a primeira, depois de muito tempo. Então ele diz:

"E o Caspian?"

"... o Caspian? Aquele mais novo com nome de personagem literário? Este deve estar enfeitando o fundo de algum lago congelado á esta hora"

"É MENTIRA!!"

Tolinsk quer, mas não consegue levantar a arma para matar mais uma pessoa. Ele quer, mas não consegue. Ele tenta mas não dá. Então ele olha para o velho, que se recosta no mozaico na parede, vê os corpos e o sangue no chão e o velho diz:

"O fogo não pode queimar o passado... meu jovem... nada pode"

Neste momento surgem mais japoneses de trás da parede. Cerca de cinco.
Então Tolinsk caminha para a saída da igreja, ele vê a fina e lisa neve caindo do lado de fora. Ele caminha para fora. Ele chega até o portal, hesita, olha para trás, vê os gansgters da Yakuza correndo em sua direção, ele tem a kalashinikov na mão, é só atirar. Mas ele não atira, ele solta a arma. E se vira de costas para os japoneses, como uma estátua curvada na frente dos portões da igreja. Os japoneses imediatamente carregam suas armas e desferem todo o metal que existe em seus pentes e cargas. Tolinsk voa pelo com a força que um cano serrado à queima roupa dispara. Ele flutua no ar junto à neve esquichando e espalhando sangue por frações de segundo. Quando ele cai , inerte, sob a calçada na entrada da igreja, da catedral. Ele vai morrer ali mesmo, tomando seu último sol, e verdadeiro sol, da primavera russa. Mas não há nenhum corpo ao lado do dele, o jovem coelho que havia morrido ali, saiu. Mas talvez ele nunca tenha morrido. Apenas, blefado.

"E o único calor que eu sentia, era o da minha arma desgraçada."

sábado, 9 de maio de 2009

Prato Frio

As chaminés cospem fumaça e enxofre,

Os rostos cheios de fuligem ardem de desespero,

Seus corpos não podem mais agüentar,

Suas mentes não podem mais ver,

 

No complexo mentor dos mestres das armas,

Nada mais respira,

Nada mais sente,

Nada foi perodado,

 

...

 

Vou lhes contar o que aconteceu ali,

Um homem, dois demônios,

uma família, duas feridas,

Nenhuma compaixão,

Nenhuma humanidade,

As suturas se abrem,

As armas se aquecem,

Um rosto, com duas almas

Brande o pesado fardo do julgamento,

Reluz em seus olhos a justiça,

Queima em seus olhos a vingança

 

...   ...

 

Isso,

Enquanto os Bazino se recolhiam em luto e remorso, e seus capangas se animavam à cada gole de vodca, à cada carta na mesa. Mas não à cada bala que arrancou sangue de um, o qual caiu sobre o baralho, cuspindo sangue na vista de seus colegas, e seguido pelos outros que antes mesmo de se levantarem e arrancarem as armas dos coldres, já estavam caídos e cheios de furos e gelo nas entranhas. O estrondo alarmou os outros que estavam dentro da casa, um deles, perdeu a cabeça quando a colocou para checar, e em segundos um coquetel molotov já explodia dentro da casa. E em momentos, tudo que se mexia dentro da casa foi banalmente carbonizado ou fuzilado depois. E mais tarde quase todos os Bazinovoloska já estavam dentro da caldeira da usina de carvão ali do outro lado da rua.

 

E em segundos o que era um ser humano,

virou fuligem, virou pó

Enquanto isso, Tolinsk e seus irmãos observavam a casa de seus inimigos em chamas,

Ambos esperando, o que não pode se esperar.

 

As chaminés cospem fumaça e detritos humanos,

Os rostos cheios de fuligem ardem de desespero,

Seus corpos não agüentam mais,

Suas mentes não existem,

Não mais.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Açoite do Leste

2 de Maio de 1992, Leningrado

Ele arde enquanto seu sapato pisa no pátio molhado que tudo reflete. Tal qual, reflete a ardência, o dinheiro, almas não perdoadas. E como um açoite, ele retorna ao seu dever, a sua incansável busca. Por algo.

 

À seu redor só existe fogo, morte e destruição. Tudo desmantelando, enquanto ele, parado perigosamente perto das labaredas de fogo que pulam de dentro dos carros que ele mesmo explodiu. Ele observa sua obra, portando a blindagem de uma alma congelada.

 

Ele ergue seu lança foguetes, e se vira para seu assistente que vem abismado lhe por à par.

 

– Chefe, seu irmão está estado grave. Mas os médicos dizem que ele vai sobreviver.

– Vocês não podiam usar o telégrafo ao menos uma vez?

– Desculpe senhor Tolinsk; Mas Slovan ordenou que parássemos com o telégrafo ou rádio, pois tem alto risco de grampo.

 

E havia mesmo, mas Tolinsk não concordava com isso, ele odiava se esconder, mas agora eles não se escondiam mais do governo, se escondiam de outros dezenas de grupos criminosos que acabavam de nascer do exército de militares colocados na rua por falta de recursos. Mas isso certamente fortaleceu os Dragunov. E por isso mesmo agora eles vão dar o troco; e segundo Tolinsk, com juros que nem judeu ousaria cobrar.

 

Detalhe para o ódio aparentemente inexplicável dele por judeus, não, talvez neo-nazismo, mas o motivo mais aceito entre os cochichos de seus homens é que um agiota judeu teria emprestado dinheiro à seu pai quando ele foi tentar a sorte em Moscou, seu pai não tinha como pagar, então o agiota não levou algo de sua casa, não lhe cortou um dedo ou lhe entregou à polícia como pagamento. O judeu quis sua mãe, e executou a cobrança sem a ciência de seu pai que segundo um poeta teria sua alma destroçada quando encontrou sua mulher estuprada e esquartejada. Depois disso, ele comprou uma arma, a mesma submetralhadora Thompson 1921 que Tolinsk usou para o vingar depois. Com aquela arma, anos mais tarde, ele usou para destruir o intestino do judeu pelo ânus, depois de fazer não se sabe o que com o coitado. Enfim, seu pai escolheu depois disso, levar a vida subversiva do crime. Que seus filhos seguiram.

 

Mas agora Tolinsk vai fazer segundo ele, o último julgamento.

Esse último ato, foi o estopim para o retorno da guerra da máfia vermelha. E os velhos Bazinolovoska vão pagar.

Pelo que? Está dito.

Antes da destruição que Tolinsk apreciava “surgir”. Houve uma pequena conversa. Aquilo que queimava era o carro de um dos filhos, e chefes dos “Bazinos”. Um informante infiltrado dentro das operações deles indicou o dia e a hora em que o carro passaria por ali, e também indicou coisas interessantes e libertadoras sobre o que aconteceu em 1989. Coisa que Tolinsk queria ouvir da boca de um deles.

 

A verdade é, segundo um infiltrado, que os Karpeyja e os Slovodan sim se juntaram para acabar com os Dragunov, e quase conseguiram. Mas foram os Bazinovoloska que compraram a polícia como mercenários e destruíram todo o negócio dos Dragunov. O que levou à morte de seu pai. Não foram os Karpeyja como deduziram ele e seus irmãos. Foi tudo os Bazinos, inclusive, segundo o informante, os homens que tentaram matar Caspian sob fachada de uma reunião amigável não eram da Yakuza. Eram japoneses contratados para se passar de membros da máfia nipônica.

 

Tolinsk fez aquele filho dos Bazino falar quase tudo isso, mas quando o infeliz começou à negar e gaguejar denovo ele não teve paciência. Fez questão de enfiar ele no carro junto de sua família e os corpos de seus guarda costas e explodir tudo com uma RPG (lançador de foguetes soviético).

Ele vai continuar,

E agora nada o impede de retomar o controle.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Batismo de Aço

17 de Agosto de 1991, Setor Industrial de Vladivostok

 

E ele caminha,

Pelos altos prédios sujos e empoeirados ele vem

E as nuvens de limalha ele cruza

A industria urra, as máquinas gemem e rangem

Os homens suam com o frio

Seus pés se enegrecem com a gangrena dos tempos

Que ainda a piorar

Ou não

 

Caspian chega até a linha do trem, que cruza por dentro da cidade e por dentro dos complexos industriais, que aliás faziam tanto barulho que nem se podia ouvir o trem, não havia cancelas no cruzamento. Mas o rapaz como foi treinado para guerrilha dentro da taiga rente à linha ferroviária, sabia quando um trem vinha ou não. Aquela parte da cidade tem grande trânsito de locomotivas, e logo quando ele chega, já se abaixa e toca as barras de ferro da linha. Para verificar se estavam vibrando. Depois disso ele dá meia volta, enfia as mãos dentro dos bolsos e aguarda o desconhecido.

 

E ali espera tranqüilamente, com os jornais correndo e girando no asfalto.

Com a pesada poeira do ferro e carbono no ar.

Ali espera o sujeito q foi registrado como filho do próprio tio. Decisão de seu pai, visto que queria dar a chance de pelo menos um de seus filhos seguir uma vida normal, sem qualquer vínculo oficial com ele, seus irmãos e suas fichas encharcadas de sangue e furadas pelos estiletes dos nervosos delegados da KGB.

Ali estava,

Sozinho? Quem sabe

Esperando o que? Nem Deus sabe

Mas ele espera. Ele remeche as mãos dentro do capote, ele levanta a gola e respira vapor.

 

Naquele segundo, naquele momento. Ele sente; Atrás dele, logo no final do alto corredor de desembarque, por trás das vigas de madeira. O som de uma AK engatilhando.

Seu coração bate três vezes, antes dele se mexer, antes disso um homem sai de dentro do prédio com o fuzil.

Ele encara o cano, o cano o encara, e o rosto amarelo e contorcido daquele japonês desgraçado nem é de se comentar. Nem que o tal parece ter gritado “Banzai!” antes de abrir fogo. Eram cinco metros, trinta balas, um pente, um japonês e um coração.

E estoura a madeira nesse ponto. O japa, bem vestido com um sobretudo negro e um cachecol combinando abre fogo no peito de Caspian, que dá uns passos para trás e cai do barranco de cargas; Para ele, o segundo entre o escorregão e o impacto na fofa neve duraram horas.

E ele cai; e ele cai.

 

E um estrondo parecido com o do fuzil de assalto soa quase q nulo perto do som das fábricas. Um tiro, um japa com um olho à menos, dois corpos no chão e um metro de esguicho de cérebro atrás do amarelo.

 

Mas o feno não acaba agora, mais quatro japoneses aparecem do outro lado da rua, no melhor estilo “Yakuza”, com direito ao irreverente óculos redondo. E esse povo caminha com violência rumo à Caspian, que não se deu pro vencido, ele se arrasta no sentido da rua, está quase passando por cima dos trilhos. Os japas chegam perto, eis que mais um deles cai por terra em um banho sangue na garganta depois de mais um lindo eco de fuzil, os outros se assustam com isso; Um deles se abaixa atrás de algumas caixas e o outro caminha rumo à vítima que engatinha. Nesse ponto Caspian já está do outro lado dos trilhos, o Japonês para antes de atravessar os trilhos, faz um sorriso maroto bem desgraçado enquanto ergue e engatilha sua arma, os outros dois ficam atrás deles fazendo pose. O outro de tocaia acha que eles são loucos, afinal, tem um atirador escondido derrubando todos eles. Mas ele não importam, parecem ter tanto orgasmo em encarar o coitado que engatinha para não morrer que não percebem o trem em alta velocidade descendo os trilhos. Até por que tava barulhento demais ali para ouvir. Os gangsters do sol nascente caminham para cima do tilho querendo dar um belo tiro na testa pra botar no currículo. Quando os três estão em cima da linha, um deles segura o peito de Caspian e o ergue, aí que a feroz locomotiva passa com violência e cepa tudo que está na frente. Em frações de segundo Caspian cai no chão ao lado do trem que passa com um antebraço japonês preso à gola de seu colete à prova de balas. 

Foi tocante, foi feio, foi...  desolador. O Resultado da Guerra; Um braço japonês; Três homens batizados pelo Aço. Levados, limpos, purificados; atropelados. E mais númerologia das coisas.

Mas o trem levou.

 O outro que esperava do outro lado, gela com a visão de ver 3 homens sendo arrebatados daquele jeito. Quando ele se vira, Klaus o agarra e o degola com amor.

Depois disso Slovan aparece, pergunta algo sobre onde foi mesmo que o Dimitri se escondeu com a SVD (rifle de precisão) e reclamava da sujeira que ele fez. Ele se abaixa, pega o óculos de um dos amarelos e reclama denovo que tinha avisado pra ele não acertar perto dos olhos por que ele queria mais de um daqueles óculos estilosos. Enquanto Klaus corria para socorrer Caspian que mesmo protegido sofreu com o impacto destruidor da Kalashnnikov.

Foi o que ele disse. 

"E a Yakuza apodrece!"

Mas o que aconteceu ali, uma contra emboscada, certamente vai custar caro. Assim está escrito; com sangue.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Chamas

27 de Dezembro de 1989, Cemitério Novodevichi, Moscou

 

Era um dia qualquer, nevando levemente com uma brisa ártica, era uma hora qualquer, isso para todos. Mas para a família Dragunov, aquilo era um dia marcado na eternidade. 

Aquilo, era o sepultamento de “Don” Dragunov, como diziam os italianos. Estava ali, os quatro irmãos, Ulano, Tolinsk, Slovan e Caspian. Nomes que seu pai colocou em honra à alguns velhos e honrados amigos e personagens literários. Mas aquilo não era literatura, não era a poesia que seu pai tanto amava, não era o bom jazz yankee, não era os acordes de Chopin, não era mais um dia de lição com seu velho pai. Era um adeus banhado pela amada brisa das montanhas geladas onde seu pai viveu parte de sua vida, antes de vir para a cidade e iniciar os negócios e seu legado. E Tolinsk, não ia permitir o fim disso. 

Não havia muitos presentes, alguns familiares, alguns amigos, parte do corpo de “tenentes” e “soldados” da organização. E logo quando Caspian coloca a velha e boa Thompson (metralhadora americana) de seu pai sobre o caixão. Surge um comboio de carros chegando na ruela dentro do cemitério. Dali sai “Don” Karpeyja e família para prestar seus pêsames.

Quando todos aqueles homens, saíram do carro, Tolinsk olha friamente para Dimitri, que faz um sinal para ele. E aqueles desgraçados dos Karpeyja se aproximavam em um nojento luto falso. Isso latejava na mente dos Dragunov como fogo. “Como podiam aqueles malditos ter a coragem de vi àquele enterro?”.Era costume isso dentro da máfia na Itália e na América...

 

“Bom dia” – diz gentilmente o culpado pelo enterro

 

Mas aqui é a RUSSIA

Tolinsk pega a arma de seu pai em cima do caixão, que aliás, estava carregada. E despeja fogo e metal à queima roupa no Karpeyja Pai, em frações de segundo as costas do sujeito estavam destruídas pela saída das balas no corpo. Ninguém esperava isso, pelo menos por parte dos arrogantes Karpeyja. E enquanto jorrava sangue sobre seus olhos, os capangas que vieram junto do comboio vão puxar suas armas, antes de disso Slovan puxa duas pistolas calibre cinqüenta e estoura o peito de um e a cabeça de outro. Klaus se joga no chão e pega uma AK enterrada na neve. Ele se ajoelha e abre fogo contra os capangas adjacentes e o resto dos Drgunov estavam armados. Alguns tentaram correr e se esconder nas arvores e nas criptas, mas antes de conseguirem algo tomaram chumbo nos pés para depois serem executados. Ainda sobraram os dois filhos covardes dos Karpeyja. Eles se enfiaram no carro pai que estava à poucos metros da cova e mal conseguiam ligar o carro de medo. Tolinsk levanta sua Thompson e dá um rajada dentro do carro e diz:

 

“Blindado é?!”

 

Slovan dá três tiros na vidraça para arrancá-la. A munição pesada de suas .50 era páreo para essas blindagens. E então ele diz:

 

“Faça as honras irmão!”

 

Tolinsk ainda consegue trocar o redondo pente da metralhadora enquanto os dois desolados choram de medo dentro do carro. Muito diferente do que faziam, enquanto estavam protegidos pelo pai. Estufavam o peito e exibiam suas armas e belas mulheres;

 

Tolinsk chega perto do carro e descarrega bala com tesão com a arma dentro do carro. As balas faziam uma lambança dentro daquele luxuoso carro enquanto os coitados se retorciam e gemiam dentro dele. Os estilhaços de vidro zarpam no ar, cintilam e giram como gelo.O estofamento, o couro, o painel e até a neve atrás do carro estavam vermelhos. Um deles tentou sair pela porta do outro lado, mas cambaleou e se arrastou o quanto pode enquanto tomando balas no corpo todo, por fim ele cai á dois metros do carro e o sangue de todos estava derramado e escorrendo frente ao túmulo de seu pai. Tolinsk volta para junto de seus irmãos, quando passa pelo corpo do Karpeyja pai ainda dá alguns tiros nele. Ele ergue sua arma com o cano “fumando” e pergunta à Dimitri que havia colocado um toca discos rodando ali perto:


 “Que diabo de música é essa que você colocou aí Dimitri?”

Ele responde:

“Isso faz muito sucesso na América, chamam de ‘Heavy Metal’ senhor”

“Você tem que arrumar mais alguns desses!”


 Depois disso os carros são incendiados junto dos corpos. Um dos capangas dos Dragunov foi morto. Mas isso não desviava a atenção de Tolinsk às chamas. E estava feito o tributo à Boris Dragunov. E as chamas ardiam, ainda.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Quando a Vida Acaba

25 de Dezembro de 1989, Em algum lugar de Moscou

Num apartamento qualquer em algum lugar da cidade,  onde a chama da calefação suprime por pouco a neve pesada, o gelo e o frio que fazia, como de costume. Mas seguindo o curso da brasa do vapor e fumaça do aquecedor chegamos à uma janela, fechada à sete cortinas, onde a vida paira para terminar. Um homem deitado na cama, uma mão envelhecida e cansada, um passado de sangue e quatro filhos aos pés da cama. O velho homem já desfalecido pelo tempo e pelo país, aquece seu último lençol, não à medicamentos para ele, nem para ninguém ali. Todos ali estavam destinados à perseguição do governo, “Que matem, e que morram. E que congelem suas lágrimas obscuras e subversivas ao sonho comunista” assim disse uma vez Slovan, antes de estar ali, como se um punhal  lhe desferisse um golpe letal e que o dilacerasse todo, seu pai estava ali, definhando, e ele sabia por que, ele sabia que a vida que ele escolheu, e que ensinou aos filhos o levou à aquilo. Não viver sóbrio, com o melhor do bom, com tudo que a carne insana humana desejaria tudo que ele desfrutou e herdou. Mataram, destruíram, assassinaram, para que? Para ver seu pai morrer de tuberculose enquanto eles fogem da polícia como ratos. E fecham-se os olhos de Slovan, durma ali e aceite o, que o seu pai escolheu, futuro que você escolheu o futuro de ninguém.

Mais sentido estava Caspian, ele não se preocupou em tirar conclusões melancólicas sobre qualquer coisa, ele estava ali, agarrado ao seu pai, em seus últimos pensamentos. Como se nada mais existisse, além dele e do pai. Como se os segundos fossem horas e minutos eternidades.

Mas ao lado dele, com a mão em seu ombro, e a outra sobre a perna de seu pai, como ele gostava de fazer quando menino, cá estava Ulano, com seu pequeno óculos de leitura no rosto como sempre, sua mãe está morta e seu pai vai estar em segundos, assim ecoava em Ulano naquele momento. E assim ele fala o que sempre quis dizer ao velho, mesmo que ele não responde, mas sabe que ele está ouvindo. Nada mais importa, apenas aquele momento e o afeto por baixo das capas e gelo.

Mas ali, do outro lado da cama, estava Tolinsk. Ele com as mãos no rosto, sente um peso gigantesco sendo colocado sobre seus ombros à cada respiração mais fraca de seu pai. Ele mal podia mostrar seus olhos vermelhos e encharcados ao ar, para não ver seu pai naquele estado. Mas ao mesmo tempo que ele sofria com aquilo, seu ódio e sua raiva eram multiplicados. Por que o maldito governo, o maldito país, o maldito mundo, deixa um gênio daquele, que já viveu como rei, que já criou muitas coisas, assim como destruiu e incendiou ,morrer como um porco perdido na neve. Ele via a vida de seu pai ser ceifada diante dele, e ele nada pode fazer, contra a KGB e seus tanques que se puseram à caçar-los, afinal, eles eram terroristas, matadores e bandidos, não merecem compreensão nem piedade, as vezes, ele pensa em abandonar essa vida e ser pastor nos Urais. Mas seu ofício da morte o persegue de forma tão doentia quanto um câncer. Mas ele agora não volta mais. Sua alma está corrompida.

E seu pai pede que abram a janela para ele ver e sentir a brisa Russa novamente, pela última vez.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Onde a Vida Acaba

24 de Dezembro de 1989

“Devido à grande onda de assassinatos e atentados à vida pública dentro de nosso amado país por inescrupulosos arruaceiros e marginais em nossa capital. O Governo soviético decidiu liberar totalmente a conduta do ministro chefe da KGB da forma que for necessária para eliminar o crime organizado de Moscou”

Isso era o que declarava um orador numa sala de reunião do tráfico em algum prédio comercial em Moscou. Era uma loja, e em seu segundo e último andar abrigava as cabeças restantes da família Slovodan, e ali, sim, ali o fogo ardia nas entranhas do filho e sucessor do império decadente do falecido à bala chefe da família, deixando seu filho, berrando para um monte de mafiosos velhos e cansados numa mercearia qualquer em Moscou. Logo depois ele sai dali e entra num carro para o enterro de seu pai. Quando o carro dele sai dali e vira a esquina dois homens peculiares se aproximam da vitrine da loja. Eles estão bem empacotados, talvez pelo frio de -15°, eles parecem observar o lado de dentro, mas um deles parece mais estar de olho no reflexo do policial do outro lado da rua do que nos enlatados de segunda nas estantes do mercado. Quando o tal policial sai dali dobrando a rua e fora de vista um dos sujeitos tira algo do capote, com o outro na frente obstruindo a visão não se sabe o que ele faz com seja lá o que tirou do capote, apenas se ouve um pequeno ruído agudo depois que eles abrem a porta da loja e um deles falando baixo: “Vai logo com isso Dimitri!”.Os dois entram no estabelecimento com cautela, andam à passos leves nem percebendo o corpo e um poça de sangue oriunda de um belo furo na cabeça do mesmo. E eles caminham devagar pelo rangente assoalho brandindo uma bela pistola com silenciador tentando ouvir o falatório dos gangsteres no andar acima. “Vai logo aí que eu te cubro!” – um deles cochicha sacando a sua silenciada do capote igualmente e se virando para a porta – o outro cuidadosamente sobe a escada, de frente para a porta no segundo andar para entrar na sala onde estão os membros dos Slovodan ele deixa um pacote com cuidado, bem no chão. Depois disso cuidadosamente desce a escada para não ser percebido. O outro o espera, depois de reunidos no andar térreo, caminham naturalmente pela rua: “Quanto você marcou?” – um pergunta para o outro baixo também – “Dois minutos” – o outro responde meio preocupado – “Droga Dimitri!” – ele diz isso ironicamente já correndo seguido rapidamente pelo outro. Eles correm para um carro à cinqüenta metros dali e seguem na contra mão com pressa cantando os pneus.
Dentro da loja , os homens discutem: “Estamos literalmente quebrados! Não tem escapatória, e digo para que por nossa honra matemos de uma vez esses Dragunovs seja lá onde estejam antes que nos mate...” O prédio inteiro explode subitamente.

Meia Hora depois...

No cemitério, um aglomerado de pessoas vestidas de preto e com o espírito à caráter velam o corpo de Danilov Slovodan, o patriarca e chefe da organização e família Slovodan. Morto num atentado à sua vida que resultou em um trágico ‘acidente’ no aeroporto. Seus filhos, sua família, seus amigos, inimigos e companhia estavam ali. Uma grande camada de negro em contraste com a paisagem cinza da grama congelada mista com neve. Todos juntos, tentando se aquecer naquele frio terrível de inverno siberiano. Mas, entre os negros troncos dos pinheiros, do cinza obscurecido pela morte das lápides por todos os lados e o céu da tarde com uma forte luz opaca pelas nuvens pesadas pairando no ar, havia ali, aqueles dois homens de capote castanho rodeando o enterro escondidos pelas arvores e arbustos, se esgueiram esperando a hora certa de agir. Um deles coloca o cano de uma SVD para fora do arbusto cuidadosamente, deitado ali, o outro armado com um fuzil troca de posição e se deita ali perto atrás de um mausoléu. Eles fazem sinais um para o outro, e então o de rifle de precisão inicia o ‘conserto’, ele dispara um tiro certeiro na cabeça do primogênito dos Slovodan, depois rapidamente joga uma granada dentro da roda do enterro. Acontece um alvoroço terrível entre os presentes ali, mas nem perceberam a granada , das potentes, jogada entre eles, o problema dela é que ela leva mais tempo q o normal para detonar. Nessa fração de segundos os seguranças da família correm para o lado que veio o disparo, e aí que o outro, Klaus, entra em ação, ele agachado entre os túmulos pega os guardas pelas costas e depois atira em quem tenta escapar dali, nesse milésimo a granada detona criando uma cena de horror supremo de pessoas sendo destroçadas literalmente e espalhadas para todos os lados juntamente dos ferrões oriundos do explosivo à base de C4 e semelhante à um claymore. Klaus continua à atirar entre os restantes agonizantes e incapacitados pela explosão. Klaus se deita e troca o pente, Dimitri com a SVD checa o lugar para se assegurar que ninguém saia vivo dali. Alguns se arrastam entre os túmulos, mas encontram o outro mundo com um disparo rápido de Dimitri em cada um. Resta apenas um guarda que se acovardou e treme enquanto tenta colocar o pente na pistola, ele se levanta de trás da lápide tremendo e hesitante mas é encontra 10 subindo de sua barriga até sua testa da AK de Klaus.
Com tudo acabado, os dois abaixam as armas, olham o produto de sua façanha, o sangue, os mortos, crianças e mulheres ali. Tudo ali, e eles ali.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Ataque a Leste

20 de Dezembro de 1989

O natal se aproxima, se existisse natal na Rússia, as ruas estariam cheias de pessoas saltitando felizes e sorridentes, crianças importunando seus pais para consumirem e consumirem desenfreadamente por puro capricho humano e no ‘fétido’ mundo capitalista. Mas estamos em pleno comunismo e o que está na rua numa hora dessas da noite depois do toque e recolher são apenas os jornais pulando pela rua levados pela pesada brisa da madrugada. E o tempo passa lento para uns homens de tocaia na frente do QG Dragunov no leste de Moscou. Aqueles homens tremem, não se sabe do que, será que do insuportável de -20° centígrados, da neve nos seus sapatos ou pelo fato de todo e qualquer líquido no corpo deles parecer estar à ponto de entrar em estado físico? Pouco importa, um deles sai de dentro do prédio com algumas canecas de café quente, aquilo era para tentar dar maior ânimo para aqueles sujeitos que guardavam a entrada do QG, que é bastante simples, um portão de ferro guarda a garagem do lugar , que naquele momento não demonstra estar sendo usada. Ao lado da garagem tem o prédio que tem dois andares, ali tem alguns quartos onde normalmente os ases dos Dragunov passam a noite, enquanto os soldados plantados do Aldo de fora garantiam a segurança agora saíram mais um bocado, era aproximadamente um dúzia ali fora, fizeram um roda, deixaram seus fuzis sossegados na bandoleira e começaram a conversar e fumar.
Já jazia um sentimento de alívio por parte dos coitados do lado de fora do prédio quando um som de pneus e motores ecoavam pela calada da noite. Antes que percebessem os faróis desligados de dois carros em alta velocidade se aproximando dali os dois automóveis derrapam e param de lado e instantaneamente saem tiros dali de dentro, usam AKs, RPKs* e submetralhadoras de ação rápida que vão destroçando aqueles homens que nem sequer conseguiram atirar. A maioria de costas ou distraída, os outros dois que estavam de olho na rua demoraram para perceber o perigo e quando decidiram atirar eles não sentiam mais o braço ou nem tinham mais braço devido á destruição que estava acontecendo ali. O projéteis lendários e temidos da Kalashnikova decepavam e rasgavam aqueles homens como um açougueiro poda a carne. Nem todos estavam recostados no muro, mas muitos foram arremessados contra ele e ali fuzilados brutalmente, as balas entravam e varavam as roupas e corpos transformando tudo aquilo num emaranhado de pedaços de carne de segunda ensangüentada, moída como tal e furada como peneira jogada aos cães em pleno início de madrugada. Rapidamente dois deles saem do carro, um deles chega na frente da porta de madeira do prédio e a metralha de fora à fora, depois dá um tiro na fechadura e recua um pouco. O outro já chega descendo a pisa na porta partindo ela ao meio, eles atiram nos caras dentro do prédio e jogam uma bomba lá dentro, correm e rapidamente entram no carro que canta os pneus novamente para sair dali logo, pela explosão e pela polícia que iria dar as caras ali em poucos minutos. Então, acontece a grande explosão destruindo todo aquele prédio espalhando papéis, madeira, entulho e seres vivos à brisa fria da Rússia enquanto os corpos e o muro destruído esfriam.

*RPK : Variação da Ak-47 com cano mais longo e bipé para fogo de apoio (Metralhadora leve)

sábado, 6 de setembro de 2008

Sangue e Seda

Moscou, 10 de Fevereiro de 1988

“Finalmente voltei à Moscou irmão, me encontre na estação central da cidade as catorze horas”

O velho Ulano se prepara para buscar o irmão Caspian na estação. Depois de ler o telegrama, ainda eram treze e quarenta e dois da tarde, mas ele não queria se atrasar, ele se levanta da poltrona, toma um gole de café, deixa seu óculos de leitura na escrivaninha e veste o capote juntamente de seu chapéu. Verifica suas coisas dentro dos bolsos do casaco, como de costume, tudo onde deveria estar, logo depois ele sai vagarosamente do apartamento, fecha e tranca a porta, desce devagar a escada com aquele barulhinho do molho de chaves se debatendo dentro do bolso. Logo depois ele sai do que parece ser um discreto e barato hotel, ele anda pela calçada até o carro, no chão esturricado pela fina neve que cai. Ele entra no carro, mete a chave na ignição dentro daquele carro frio. A neve mesmo que pouca, suja todo o para brisas, Ulano se esforça para limpar isso esticando o braço para fora do carro.
Ele estava chegando na estação, mas avista seu irmão caminhando da calçada, talvez para antecipar sua busca. Caspian parecia suar, apesar de tremer de frio. O carro para, ele entra, se cumprimenta com o irmão, mas o assunto morre imediatamente, o clima dentro daquele carro estava mais gélido que o aço da lataria. Ambos sabiam por que aquela situação estava fria. Mas ninguém comentava nada. Eles se dirigiam para um hotel, onde estava hospedada a noiva de seu irmão, o casamento estava deixando o rapaz muito nervoso, ele realmente ama sua noiva. Aconteceu que dentro do carro ele percebe que Ulano carrega uma Ak por dentro de seu grande capote. Caspian perguntou por que aquilo numa simples viagem familiar. Ulano não hesitou em explicar que os tempos estavam difíceis, a pressão do governo estava deixando a família tensa, e nunca era ruim se prevenir. Caspian sabia que o motivo não era realmente aquele. Mas não quis causar problemas com seu irmão.
Estavam perto do hotel, Caspian tremia de frio, apesar de estar empacotado, com pouco mais de 3 casacos por baixo de seu capote. Eles chegam em pouco tempo, rápido demais. Ulano estaciona, ele ajeita seu chapéu e sai do carro. Ambos caminham com vapor exalando da árdua respiração. Entram naquele luxuoso hotel, sobem as escadas vagarosamente pisando naquele macio veludo do carpete verde. Eles chegam em frente da porta. Caspian “comenta que parece que ela não está” e vai destrancando a porta. Quando a abre encontra sua mulher com outro homem deitados na cama de casal.
Caspian, louco de amor e saudade como é, suspira baixo e deixa cair uma lágrima, mal pode gaguejar e abaixa a cabeça, Ulano vendo aquilo, não pensa duas vezes, mesmo ouvindo a mulher pedindo perdão ao marido, mas Ulano sabe que Caspian esta todo desiludido, nem se mexe ou expressa nenhuma outra emoção além de uma extrema tristeza fria dando as costas para a mulher aflita. Esse ato foi como um decreto de rejeição á sua bela moça no qual iria se casar, Ulano sabia disso, puxa o fuzil da capa, mesmo ouvindo os berros por clemência de Anita ele dispara contra a cama. Os dois condenados mal puderam se levantar direito do leito e já jazia o chumbo em chamas que perfurava suas entranhas e corações. Suas peles eram retalhadas como papel e o sangue escorria pela cama. Eles podiam sentir o metal destruindo em cadeia seus corpos imundos com o passar das rajadas de cima para baixo e da esquerda pra direita que Ulano fazia.
Depois das 50 balas de seu pente descarregadas, Caspian já saíra do quarto deixando de lado, os belos olhos e a pele de seda de Anita furada pela traição e seu amante canalha morto na cama. Que pena diz Ulano, Caspian pergunta “pelo que?”. “Pela boa cama estragada” diz Ele.